Senhora da Piedade de Tábuas

 No sopé de uma vertente da Serra da Lousã, localiza-se Santuário da Nossa Senhora da Piedade de Tábuas, enquadrado por uma paisagem de rara beleza.

A fundação e o fundador da capela, Domingos Pires, estão envoltos numa curiosa lenda de aparições e anjos escultores. O lavrador, que era julgado de recuada época, veio o historiador Belisário Pimenta encontrá-lo bem identificado, com a mulher Leonor Eanes e as filhas Eva e Maria Martinho, nos meados do séc. XVI. Os restos artísticos mais antigos confirmam-no igualmente. O santuário foi sede de grande devoção e romaria.


A capela principal encontra-se disposta cenograficamente numa elevação – que teve o nome de Malhadinha – que se destaca numa garganta apertada da serra de Miranda. Como de costume, desenvolveu-se o santuário ao longo do caminho de acesso, por meio de motivos secundários, que formam um todo: capela de S. José, cruzeiro e capela de Santo Amaro, fonte, a capela propriamente dita, ao que juntaram nas vertentes próximas umas capelas nichos sem valor.
O edifício da capela da Piedade data da segunda metade do séc. XVI, com algumas reformas no séc. XVIII e adendas posteriores.

Em 1998 a Capela principal do Santuário foi atingida por um incêndio que destruiu todo o interior. Seguiu-se a obra de recuperação, inaugurada em 2005.

Santuário do Senhor da Serra

No topo da vertente sobranceira ao Mosteiro de Semide encontra-se o Santuário do Senhor da Serra, palco de uma centenária peregrinação e um miradouro de excelência de onde se avista todo o maciço central da Serra da Lousã à Serra da Estrela.
Este Santuário, erigido e devotado ao Santo Cristo foi palco de uma das maiores romarias do país, antes do aparecimento do Santuário de Fátima.
A devoção começou num cruzeiro de caminho e, pouco a pouco, transformou-se numa grande romaria.

A Capela é só de uma nave. A torre ergue-se a meio da frontaria, rasgando-se na base o portal e rematando em pirâmide. A capela-mor, poligonal, é de tipo nitidamente romântico. O retábulo principal em madeira, flamejante, inspirado no da Sé Velha, é desenho de António Augusto Gonçalves e foi executado sob a direção de João Machado, seu pai.


A imagem do Santo Cristo é um crucifixo de pedra, tipo setecentista, mostrando na base as indicações de “1704 e R(eforma) do 1862.”. O púlpito, seiscentista e torneado, veio da Sé Velha. Os vitrais e os azulejos exteriores (ex-votos) foram executados na escola Avelar Brotero, em Coimbra.

Mosteiro Santa Maria de Semide

O Convento ou Mosteiro de Santa Maria de Semide, localizado em Miranda do Corvo foi fundado em 1154 por Martim Anaia. Inicialmente era ocupado por monges beneditinos. Mais tarde tornou-se num convento de freiras para receber as descendentes do seu fundador.

A parte mais antiga ainda existente data do século XVI. Em 1664 um incêndio devorou a maior parte do edifício que foi reconstruído e inaugurado, com a actual igreja, em 1697. Em 1964 o mosteiro sofre novo incêndio tendo sido devorada a ala poente. Em 1990, um novo incêndio destruiu o claustro velho, a casa do capítulo e a sacristia.

Do conjunto ainda existente salienta-se a Igreja, com um retábulo e cadeiral em madeira, dos finais do séc. XVII, azulejos do séc. XVIII, esculturas do séc. XVII e séc. XVIII e altar-mor também do séc. XVII. O órgão de tubos, do séc. XVIII, foi recentemente recuperado.

Em 1931 o Mosteiro que entretanto havia sido cedido à Junta Geral do Distrito de Coimbra, presidida pelo Professor Bissaya Barreto, passou a funcionar como Escola Profissional de Agricultura e Asilo.

Actualmente o mosteiro alberga o CEARTE, escola de formação profissional e um lar de jovens da Cáritas.

A igreja do mosteiro é igualmente a igreja paroquial de Semide. Todos os anos este templo é palco do Encontro de Coros de Miranda do Corvo.

Quinta da Paiva

A Quinta da Paiva, local onde se localiza o Parque Biológico da Serra da Lousã, resulta de uma parceria entre a Fundação ADFP e o Município de Miranda do Corvo.

O Parque Biológico reúne um vasto conjunto de animais representativos da fauna portuguesa. O objetivo é dar a conhecer a vida selvagem de Portugal e não de criar um zoológico tradicional mas sim um local que seja capaz de mostrar, em ambiente próximo do natural, algumas espécies que habitam o território português. Destacamos de entre os vários animais o veado, o corço, o lince, o urso, o muflão, aves de rapina, entre outros.

No parque existe igualmente uma quinta pedagógica onde estão reunidas várias espécies de animais domésticos autóctones do nosso país, o primeiro labirinto de árvores de fruta no Mundo e um centro hípico com equitação adaptada.

O que distingue este parque de outros parques é o facto de ter como objetivo dar a conhecer os animais de Portugal, quer domésticos quer selvagens.

O Centro Hípico, para além de uma atividade lúdica e desportiva, gera postos de trabalho no tratamento de cavalos, promove a hipoterapia e a equitação adaptada. A prova do sucesso é um cavaleiro deste Centro Hípico ter representado Portugal em Atenas em 2004, a primeira representação nacional nos jogos paraolímpicos.

O turista não só pode divertir-se, aprofundar a biofilia, apaixonar-se pela natureza, aprendendo a valorizar o ambiente, como apoiar um projeto que integra trabalhadores deficientes, associando a ecobiótica a fins terapêuticos como hipoterapia com deficientes e terapia ocupacional com pessoas com doença mental.

O visitante goza o prazer do conjunto turístico, onde há um restaurante museu vivo da gastronomia regional, apoiando um inovador projeto de combate à pobreza, criando emprego para pessoas excluídas.

No espaço da Quinta da Paiva projetou-se a realização de um espaço turístico de lazer, englobando vários equipamentos/projetos que têm o mesmo fim: promover turisticamente o Concelho e a região e dar trabalho a pessoas carenciadas e/ou com deficiência.

A Quinta da Paiva é uma área urbana de lazer onde se encontram localizados vários equipamentos lúdicos e desportivos, nomeadamente piscina descoberta, circuito de manutenção, centro de informação, campos de jogos, área verde junto ao rio, que são propriedade do Município e geridos pela Câmara Municipal.

O Município possui também peças de ecomuseu como o açude, levada, nora de elevação de água e moinho de cereal movido a água.

A Fundação ADFP, no Parque Biológico, complementa este ecomuseu com a bomba manual e engenhos de elevação de água para rega de pé, movidos por bovinos, a picota, o sarilho e um antigo moinho movido a vento.

Aldeia de Xisto do Gondramaz

Subindo a serra, encontra-se o Gondramaz, uma aldeia de xisto onde o tempo parece ter parado. Chegados perto do cimo da montanha, ergue-se do solo a aldeia, o Gondramaz, que de uma forma envergonhada se vai mostrando através da vegetação.
A sensação é esmagadora. Todos os sentidos são estimulados. A visão é imaginária. Parece que estamos a caminhar sobre os telhados.

A sinalética indica-nos os pontos de referência da aldeia e dá-nos a conhecer os seus segredos. A audição é envolta de um som forte, de uma música, de uma pauta escrita pelo som emitido pelas asas das abelhas. O cheiro é extasiante, a um odor de verde da natureza. O sabor está envolto no gosto delicioso das castanhas que envolvem o chão.

Envolvendo a aldeia, desenvolve-se o percurso pedestre do Gondramaz, o primeiro percurso acessível do país, que pode ser feito por invisuais e por pessoas com mobilidade reduzida.

Visitada a aldeia, convidamo-lo a percorrer a pé os caminhos da serra. Durante a subida, vamo-nos apercebendo de vários pontos de miragem sobre a vila e das encostas das montanhas, de uma beleza rara de vegetação que vai escorrendo e envolvendo a íngreme depressão até ao sopé, terminando numa euforia de verde.
A fauna, esconde-se no embrenhado da flora, mostrando-se aqui e ali de uma maneira tímida. Veados e javalis dividirão com o aventureiro os caminhos pedonais que se abrem diante dos nossos olhos e que nos guiam neste passeio pedestre.
Chegados à cumeeira, abre-se aos nossos olhos, uma pintura dos deuses. As elevações e as depressões, as várias tonalidades de verde, toda a paisagem parece não ter fim. Os olhos “enchem-se” de tanta beleza.

O percurso continua, sobre caminhos de terra batida, encaminhando-nos, em descida, à aldeia abandonada do Cadaval. Mais um exemplo magnifico da típica aldeia serrana.


Embora abandonada e vítima de um grande incêndio que a devorou, a aldeia ainda guarda o testemunho de ruelas e de paredes em xisto que encerravam as inúmeras casas. A paisagem convida ao descanso e à contemplação.

camara-miranda-do-corvo freguesia-miranda vila-nova cetro-estagio parque-bilogico bombeiros